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![]() May 28, 2008»
PARTE 31 Por que eu não pensei nisso antes? Por que eu fui me envolver com um cara que não é um canalha? Como vou suportar isso? - Casa comigo? Senti uma insuportável dor no peito. O homem que eu amava queria se casar comigo. Impossível aceitar. Impossível suportar algo, assim, tão arrebatador, verdadeiro e tão maluco para uma mulher vadia que só queria se divertir com os traíras do universo. Não poderia casar com quem ficou viúvo por minha causa. Ele estaria se casando com uma assassina. E ele abriria o freezer da nossa casa e encontraria mãos familiares. Tão familiares que ele reconheceria a aliança naquele dedo. postado por claudia (12:43 AM) | escreva também (0)
May 20, 2008»
PARTE 28 Mesmo chorando por você, meus hormônios borbulhando por você 24 horas por dia, às vezes – e não sei bem dizer em que momento e situação – eu morro de saudades de um outro. Saudade de um que corria para a porta quando eu chegava em casa mais tarde e me comia ali mesmo, no hall. Do outro que escondia bilhetinhos deliciosos pelas minhas coisas e, cada vez que eu achava um deles, me chupava como se o ato valesse um troféu pela minha astúcia de encontrar minúsculos papéis em lugares inusitados. Daquele que nunca esquecia datas: Dia do Primeiro Beijo, Dia da Primeira Transa, Dia Em Que Eu Resolvi Dar Tudo Pra Ele. Todos estes dias eram muito mais maravilhosos do que um comum 12 de junho. Sempre ele vinha lembrar dos nossos dias sexuais, tinha um calendário pornô nosso na cabeça. Que pena todos estes homens serem um bando de meninos infantis. Que pena todos eles se mostrarem meninos inseguros. Que pena que tantos homens tinham nascido sem mãe e queriam ser meus filhos. Saudade de tanto incesto que eu pratiquei durante a vida toda. (Sim, eu sei em que momento e situação eu lembro deles. Lembro deles exatamente quando você me penetra assustadoramente sempre da mesma forma idiota e comum, mesmo eu sendo uma tarada que prefere fazer sexo de quatro. Ou com quatro ao mesmo tempo). postado por claudia (12:56 AM) | escreva também (0)
May 11, 2008»
PARTE 25 Tudo o que eu mais queria era conseguir espalhar cada pedaço dela pelo mundo para você nunca mais vê-la. Eu queria sim, ter cortado a mulherzinha da sua vida aos pedaços, mas eu não sou uma exímia cirurgiã que manuseia ferramentas de amputação e nem um homem com tamanha força capaz de empunhar uma serra elétrica. Como os pulsos dela eram finos e frágeis, eu consegui separar somente o par de mãos daquele corpo que já fodeu com você centenas de vezes. O resto, como a polícia já sabe, eu consegui colocar em um saco de lixo e jogar no rio. Um corpo desprovido de mãos, com a nuca furada pelo candelabro empunhado por mim. Quando eu soube que encontraram o corpo, eu estremeci. Não pelo medo de ser presa, mas pelo fato de você poder olhar para ela de novo. Ela foi encontrada bela, ainda digna de um velório. Um velório que, como você sabe, eu fui e acabei presenciando uma das cenas mais lindas e terríveis da minha vida: você admirando aquela mulher, passando a mão em cada pedacinho do rosto do cadáver sem mãos e balbuciando cada músculo da face. Você sabia cada nome (pois aprendeu na faculdade de medicina) e parecia conhecer cada reentrância (pois aprendeu na cama, acariciando aquela mulher). Eu o vi passando a ponta dos dedos nas maçãs do rosto dizendo: Com ternura, continuou sussurando termos indecifráveis para o meu conhecimento péssimo em anatomia e memorizou, pela última vez, cada curva daquele rosto que você nunca mais esqueceria e que olhou inúmeras vezes pra você, mexendo delicadamente cada músculo facial, respondendo positivamente à pergunta: “você me ama?”. Pergunta que você fazia com os olhos toda a vez que ambos se misturavam em fluídos na cama. Para você, meu amor, ela foi enterrada viva. postado por claudia ( 8:51 PM) | escreva também (0)
May 5, 2008»
PARTE 30 Não me importa se você é ou não o homem da minha vida. O que sei é que você pode ser o homem do momento. Algum babaca disse que a vida é feita de momentos, então vamos pensar assim. Não faremos planos, iremos, apenas, viver. Porque a amanhã eu posso estar envolta por quatro paredes, onde há uma janela com grades verticais. Porque amanhã eu posso trair você por não conseguir ter o prazer que tanto desejo. Porque depois de amanhã você pode me abandonar por não ser a dona de casa perfeita. Vamos apenas viver o momento, mesmo que este momento agora seja o pior de todos: você deve estar no seu ex-apartemento relendo os poemas dela, olhando para as fotografias dela e se perguntando o porquê de tudo, já que todos os momentos que vocês viveram foi perfeito. Vocês desejaram ter filhos, ela acordou você com a poesia mais linda do mundo. Ela pintou as unhas da cor que você quis. Você gostava do gosto que ela tinha para escolher os móveis da casa. Ela não desejava casar com você, porque já estava casada com você, bem lá no fundo, para sempre. Ela vivia dentro de você e você dentro dela, mesmo enquanto não faziam o melhor sexo da vida dela. Então vamos viver a porcaria deste momento que é imaginar você sentindo a falta de um cadáver podre, mas que você nem imagina que ainda restam as mãos no meu freezer. postado por claudia (10:52 PM) | escreva também (0)
May 1, 2008»
PARTE 27 Meu amor, Meu amor, ontem encontrei tudo dela no meu pensamento e cogitei seriamente em acabar com ele com um tiro na cabeça. postado por claudia ( 7:56 PM) | escreva também (0)
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