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![]() February 26, 2008»
PARTE 15 Sim. Eu tinha dito, exatamente esta palavra a ele e estava completamente arrependida. Não mais sendo a outra eu estaria passível de uma traição. Eu poderia ser traída todos os dias, sem perceber. Eu ficaria frágil, deixaria de me sentir puta, esperta, gostosa. Eu deixaria de ser a mulher que tira ele do ar. E, além do mais, jamais acreditaria em uma única palavra, afinal, se ele mentiu tanto para a esposa quando eu era apenas uma amante, agora seria a minha vez de ouvir as tais mentiras. Porque homem que mente uma vez, mente sempre. Eu não poderia acreditar que o amor dele a mim poderia mudar a cretinice que ele exercitava com a esposa idiota. Na verdade, eu estava borrada de medo. Completamente apaixonada, mas borrada de medo. Eu queria ter filhos, mas estava borrada de medo. Eu queria amá-lo todos os dias, acordar do lado dele todas as manhãs, mas eu estava borrada de medo. E eu não convivo bem com o medo. Prefiro fugir dele. Prefiro deixá-lo guardado dentro de uma caixa que fica dentro de outra que fica dentro de outra bem lá no fundo do armário que nunca abro. postado por claudia ( 8:46 PM) | escreva também (0)
February 24, 2008»
PARTE 10 Toda a vez que eu pensava que um dia você poderia morrer em meus braços e eu ter que passar por tudo aquilo que passei com o meu pai, eu tinha certeza de que seria você. Sim, seria você o homem que me tiraria do chão, que me faria chorar (de emoção), que me daria um filho e eternos sorrisos. Que me perdoaria por eu não ter aparecido antes, por não ter alugado o apartamento ao lado do seu a alguns anos atrás. Você me perdoaria por não ter aberto a porta na primeira vez que você bateu, fazendo o destino trabalhar como deveria. Você me perdoaria por não ter me conhecido aos 25 anos, ainda com a pele intocada pelas marcas das paixões que me fizeram sofrer. Se eu tivesse aceito que era você, eu estaria outra e completamente feliz. postado por claudia ( 7:50 PM) | escreva também (0)
February 20, 2008»
PARTE 16 Assim como dei adeus aos meus cabelos compridos, eu teria que dar adeus ao medo. Cortá-lo pela raiz. Exorcizá-lo da minha vida. Mas ouvi falar que isso requer anos de terapia e não tenho mais tempo. O mundo está quase acabando: o aquecimento global já sufoca as nossas respirações, a Amazônia está deverasmente desmatada e as epidemias estão ali na esquina, esperando a gente atravessar a rua. Maldito medo que a vida me deu no maldito mundo que caminha para o abismo. Maldita cabeça que pensa demais. Maldito inconsciente que sussurra em segredo essas coisas todas no meu ouvido. Maldita hora em que você foi aparecer: exatamente no momento em que meus óvulos estão murchando aceleradamente. Eu juro que eu só queria materializar esse amor colocando um filho nosso no mundo. Mas eu tenho medo do mundo. Eu tenho medo de você. postado por claudia (10:02 PM) | escreva também (0)
February 12, 2008»
PARTE 12 Era a primeira vez que eu usava aquele vestido de botões frontais. Parte da frente cruzada como terno masculino com 6 botões de cada lado. No total, 12 botões para você abrir. Mas como você nunca teve paciência para tirar vagarosamente as calcinhas que eu comprava, cuidadosamente para você, pensei que você abriria os dois primeiros botões para tocar em meus seios e logo depois arrancaria o vestido pela minha cabeça, pedindo para que eu levantasse os braços feito criança diante do pai. Mas você tinha mudado. Criou intervalos entre os beijos para abrir cada botão. Abriu vagarosamente um a um, beijando, também, cada parte do meu corpo. Não falou uma só palavra enquanto o fazia, apenas olhava com seus olhos tenros nos meus e me beijava muito, me beijava toda, me beijava como nunca, como se fosse a última vez. E se fosse esta a última vez? Eu não queria pensar nisso, fazia muito esforço para me concentrar nos beijos, mas toda a vez que você me olhava eu pensava: “meu Deus, esta é a última vez.” Fizemos sexo (ou seria amor?) e você continuava me olhando muito e toda a vez que você me olhava eu pensava: “esta é a última vez”. Seus olhos de um azul perturbador pareciam lanternas clareando a minha imagem no escuro. Amanheceu e você ainda me beijava e entrava em mim com calma, vagarosamente, fazendo com que eu me controlasse porque toda hora eu pensava: “esta é a última vez”. Mas entre um beijo na minha boca e outro em meu seio esquerdo, você sussurrou meu nome e disse: “te quero” e eu pensei que não poderia ser a última vez. Um alívio tomou conta de mim que gozei de repente, como em um susto. Gozei e você se esbaldou me vendo daquele jeito. Gozei aliviada pensando: “eu posso gozar logo, terei outras vezes com ele”. Levantei, peguei meu vestido do chão e saí do quarto. Eu só queria chorar um pouco, me desfazer do pensamento de perda. Eu queria você, eu queria tanto mais que você, eu só pensava nisso e tinha que fazer alguma coisa. Eu tinha que acabar com o seu casamento. Eu tinha que tirar aquela mulher desinteressante da sua vida. Eu tinha que pensar em um plano. Eu tinha que tomar uma atitude decisiva. Desculpa, meu bem. Mas eu iria matar. postado por claudia ( 9:10 PM) | escreva também (0)
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