November 29, 2007

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blue.jpg


Os teus bastidores são lixo
restos de shows que ninguém viu
lâmpadas queimadas
indícios de vida mal cuidada
vícios de monólogos falsos
a fim de alheios sacrifícios.

Os meus bastidores são simples
com cenários em riste
e luzes a acender
sem iludir o que é triste.

O meu palco tem tudo
para abrir as tuas cortinas
sem lutar
só para fazer o espetáculo
de te amar.

postado por claudia ( 8:39 PM) | escreva também (0)

November 25, 2007

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fios.jpg
bienal.o7.

Estou em branco
como se o mundo fosse um vazio no espaço
como se a vida existisse só para passar
como se o ar fosse demais para poucos
como se nada pudesse -me fazer viver
ou matar.

Estou tão límpida e leve
que a sensação é de quase nada.
É como se o abandono fosse mentira
a mentira fosse verdade
e as verdades permanecessem caladas.

Estou flutuando em milhões de quilômetros
quadrados.
Minha cama parece imensa
minhas roupas são vazias
meus cabelos pendem sem pesar
(é como se eu só fosse ar).

Estou tão seca e ausente
que cada lembrança vira o presente
e o presente não acontece.
E meu coração se esvazia
e esquece.

Estou tão sem sentido
tão oca num sentimento esvaído
que nem a poesia me traz alívio
e uma parte de mim morre
sem ferimento ou perigo.

(Estou assim, sem palavras
ou gemidos).

postado por claudia ( 9:36 AM) | escreva também (0)

November 18, 2007

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montevideo2.jpg
montevideo.07.

Quero uma casa pequena
pra ter que te tocar
toda a vez que eu passar
do quarto
para a sala de estar.

Quero uma casa pequena
como nenhuma há
só pra eu ir do banheiro
à cozinha
tendo que te abraçar.

Quero uma casa pequena
para eu andar devagar
sempre que eu for da sacada
ao corredor
pra te beijar.

Quero uma casa pequena
só pra te ter um pouco
no sótão
e outro pouco
na sala de jantar.

[refrão]
Quero uma casa pequena
só pra todo tempo te amar
até cansar
até dar falta de ar
e descansar
e do sonho da casa pequena
acordar
e lamentar
sem recordar.

postado por claudia (10:48 PM) | escreva também (0)

November 10, 2007

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red.jpg


A nossa poesia virou sexo.

A cada linha, um gemido
no lugar da letra, um corpo a perigo
substituindo a rima
fez-se um beijo ácido.

Suor desconexo
com o poema sensato
faz a língua lamber
a língua portuguesa
no ato.

Os lençóis dão lugar
ao papel ou à tela
enquanto a mão dele
agarra o ventre dela
e o descreve
em fatos.

Na última frase
apenas o gozo
encontra o leitor
no leito
sem amor.

Então a palavra envergonha
a poesia silencia
o lirismo some
enquanto os dois
se consomem
depois de um tempo inexato.

postado por claudia ( 9:08 PM) | escreva também (0)

November 4, 2007

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borboletas.jpg
bienal.07.

Você não tem mais os mesmos olhos
o mesmo cabelo
os mesmos fios da barba.
Até suas mãos devem ser outras
de tanto tocar o que não é sagrado.

Nem a sua casa é minha
e a minha não é mais sua.
A cama perdeu a forma de dois
e ganhou um depois.
A gaveta não abre mais de um lado
como se fosse um baú de segredos
guardados.

Seus tênis que restaram
foram para um lugar que ninguém vê
as fotografias estão velhas
e vivem sem respirar no fundo da gaveta
para ninguém encontrar.

E a voz…ah, a voz! Que voz?
O passado é silêncio repetido em dores
erros
desejos não atendidos
mentiras infantis
sonhos com você, tão imbecis…

Nosso mundo levou um Big Ben
virou partículas de pó
esqueceu que existiu
num espaço de tempo
que partiu
sem remorso
divórcio
ou dó.

postado por claudia ( 3:40 PM) | escreva também (0)