June 28, 2006

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banco escuro.jpg

Sento no banco duro e peno
na escuridão
de um futuro sereno.
Penso e repenso
tendo a insônia
como companhia
na noite dura e fria.
O calor do seu corpo se aproxima
e uma mentira vem à tona:
o banco é duro e peno
porque tenho medo
de tudo que temo.

postado por claudia (12:34 PM) | escreva também (0)

June 16, 2006

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jesus.jpg

Cheguei a esquecer de você por uns dias.
Enquanto rezava
não lembrava de orar por nós.
Pedia a Deus por outro homem
pedia a Deus que não fosse embora
e nem notei que você era quem estava indo
porta afora
por ordem minha.

Cheguei a esquecer de você por uns dias
os mesmos dias
em que você nem lembrava
em esquecer de mim.

postado por claudia ( 5:51 PM) | escreva também (0)

June 13, 2006

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lençóis de meu sangue.jpg

Eu não quero morrer aos poucos:
quero morrer de vez.
Pode ser com um vidro de calmantes
talvez.
Ou pode ser dormindo
pode ser sorrindo
pode ser até um apagão nas lembranças cruéis
ao levar um tiro na cabeça
para que eu, enfim, esqueça.

Nunca quis morrer assim:
com dores e dores repetidas
nem com frases mortas-morridas.

Não posso suportar o soro pingando
a luz que não se apaga
as surpresas dos exames de sangue
das radiografias
e as cicatrizes feridas.

Eu não quero morrer
(mas essas doses fortes de amores sempre nos matam).

postado por claudia (12:22 PM) | escreva também (1)

June 8, 2006

» primeiro encontro em outro lugar

Sou observada lá de cima
até em meus sonhos.
E neles você me visita
e vira um bebê em meus braços
e me conta segredos da morte
e explica o que é ter sorte.
Diz que nem lembra da dor
-para meu alívio-
e me dá um valioso aviso:
“minha filha,
dá pra escolher a hora de ir”.
Como se estivesse burlando regras
subornando anjos
sussurra tal coisa
pra eu saber como é partir.

postado por claudia ( 3:39 PM) | escreva também (1)

June 2, 2006

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Demorei para conseguir escrever. Queria escrever sobre a dor. Tentar explicar
para quem nunca perdeu um amor para a morte de como é sentir a lança atravessando o peito de uma hora para outra, mesmo quando estamos no meio de uma deliciosa gargalhada.
Queria escrever como é difícil aceitar que o telefone não toque mais naquele mesmo horário aos domingos e ouvir “Oi, minha filha!” com aquela voz entusiasmada ao ter ouvido o meu simples “alô”. Queria explicar o quanto é surpreendente entender que o corpo é absolutamente nada, que é apenas um instrumento para que possamos ver o sorriso, receber o abraço ou ver nos olhos a compaixão e o cansaço.
É praticamente impossível descrever a vida saindo do corpo debilitado, observar angustiada a respiração sofrida e sentir a mão apertando a minha com o que sobrava da mais forte energia. É absolutamente estranho tentar explicar, dividir, contar, esmiuçar o que acontecerá com todo mundo, um dia.
Demorei pra conseguir escrever. Queria escrever sobre esse amor. Mas é muito mais simples lembrar, sentir e saber que isso sim, tem vida eterna.

pai e filha2.jpg

Claudio Wilmar Schroeder
24.09.1936 + 25.05.2006

(Perdi o primeiro homem da minha vida.)

postado por claudia ( 6:41 PM) | escreva também (4)