August 25, 2010

Eu não sei entrar em casa sem chave
não sei bater na porta
quando o outro lado está vazio.
Não sei sair com pouca roupa
se está frio.
Não sei deitar de sapatos
a não ser quando chegar
a minha hora.
Não sei medir o tempo
e viver olhando para relógios
pagando pedágios
calculando impostos.
Eu não sei viver com impostores
com cheque sem fundos
e sem sentir no fundo da alma.
Eu não sei viver sem a essência de ser.
A comida tem que ter gosto
o dia tem que ter luz do sol
na pescaria tem que ter anzol.
Eu não sei ser fora do mundo
outra coisa.
Eu não sei não amar
cada momento em que respiro
o teu respirar.

E o resto eu não sei.

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August 23, 2010

Existir ou desistir?
Apenas deixar de sê-lo.
Silenciar
e sentir o vento
e sentir o tempo
e não ter medo de presenciar a vida
na sua pureza e essência, sem contras
ou violências.
Nunca mais pensar em todas as angústias
pelo simples fato de que desapareceram.
Não sou mais fato
não sou mais ato
não sou mais prosa
nem verso.
Serei o inverso do que nunca fui
comigo, com o tudo
oom o amigo, com o chefe
com o vagabundo.
Deixar de sê-lo
e nunca mais voltar como antes
é desistir de existir de uma forma
que nada era.

postado por claudia ( 2:48 PM) | escreva também (0)

July 29, 2010

Prêmio Off Flip de Literatura 2010

Fui uma das poucas finalistas na Categoria Poesia do Prêmio Off Flip de Literatura, que acontece no Festival de Paraty. E pelo que vi, fui a única Gaúcha. Fiquei feliz com a notícia.
Abaixo a poesia premiada. Espero que gostem.
Para ver mais sobre o Prêmio, clique aqui.


CASAMENTO

Eu queria que você aceitasse a minha mão
mesmo com a pele fina
a unha descascada da louça mal lavada
as manchas do tempo do sol
as veias azuladas sobre o tom louro
dos pêlos mínimos.

Eu queria que você aceitasse a minha mão
mesmo que fosse somente
para atravessar o meu medo de rua.

postado por claudia ( 1:09 PM) | escreva também (0)

July 26, 2010

Moça

Eu não sei fazer a bainha
tirar a calcinha
como deveria
nem me fazer de mocinha.
Eu sei chorar aos prantos
fingir espantos
criar ladainhas.
Eu não sei fazer dilema
escrever poema
e ficar na minha.
Eu sei o que me consome
e se você é homem
entra na minha
(e depois me deixe sozinha).

postado por claudia (11:24 PM) | escreva também (0)

May 2, 2010

Poemas e texturas vão para a mesa

Sempre quis levar minhas poesias para fora das gavetas e não necessariamente para livros. Foi aí que descobri uma caneta que escreve em porcelana. Comprei uma, selecionei alguns trechos de poesias minhas e comecei a tentar. Levei texturas que ensaio em Moleskines e também tentei em pratos. Algumas pessoas gostaram do resultado e resolvi continuar fazendo, artesanalmente, um a um, com a minha letra, com os meus borrões, com a minha poesia.
Abaixo está o resultado de algumas peças.
Para saber o que saiu por aí sobre este assunto, clique aqui e aqui.

prato textura.jpg

amor santo.jpg

você cozinha.jpg

chama do fogão.jpg

Pega a faca.jpg

postado por claudia ( 6:40 PM) | escreva também (0)

April 25, 2010

grafismos.jpg

Preciso ser alimentada
amamentada
ali, mantida.
Preciso ser bem amada
por mim, pelo respirar da minha lida.
Preciso parar de ser calada
entristecida.

Preciso de manutenção
ouvir meu coração
e curar as feridas.

Simples
vida.

postado por claudia ( 8:21 PM) | escreva também (0)

March 15, 2010

Uma parte minha é choro
a outra está tomando soro.
Uma parte de mim está um tédio
a outra está tomando remédio.
Uma parte de mim está aos cacos
a outra está com gaze e esparadrapos.
A minha parte está morrendo sufocada
a outra, sua, está sendo tratada.
Uma parte de mim deixou de ser amante
a outra está esperando o transplante.

Uma parte do que sinto está na na U.T.I
a outra que ainda resta a nós, está em ti.

postado por claudia ( 3:11 PM) | escreva também (0)

March 6, 2010

suspenso.jpg

Nós dois
para sempre abraçados
somos mais doces
do que mil bem-casados.

postado por claudia ( 4:38 PM) | escreva também (0)

February 12, 2010


O que o espelho diz?
Tenho uma ruga aqui
um lado diferente do outro
mas para sempre
vou sendo feliz
aos poucos.

postado por claudia ( 1:52 PM) | escreva também (0)

January 24, 2010

jarra.jpg

Antes eu tinha tanta pressa.
Antes eu tinha tantas
e tantos.
Antes eu também tinha prantos
e tudo o que mais estressa.
Antes eu não tinha harmonia
e toda a poesia
era morte, era preto, era vácuo
era esterco.

Antes eu não tinha
(era inércia).

postado por claudia ( 9:59 PM) | escreva também (0)

 

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