agosto 08, 2008

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PARTE 40

Bebendo champagne barata acompanhada de batatas chips. Nada mais deprimente do que ter que fazer isso, enquanto você pensa se me ama. Eu sabia que você não tinha certeza. Eu sabia que você comia a sua secretária. Eu sabia que você iria perceber que eu era só um tampão no buraco que a outra deixou. Screch, screch, screch. Odeio o barulho que a batata chips faz dentro da minha cabeça. É um barulho que incomoda mais que aquela voz que me chama de assassina toda a vez que eu lembro que você me olhava pensando nela. Ou na secretária. Ou em uma mulher perfeitinha de um site de encontros, que é perfeitinha porque você só a conhece virtualmente, claro. Screch, screch, screch. A fome me faz comer essas batatas barulhentas que eu amoleço na boca com um gole da champagne barata e doce demais. Screch, secrech, screch. Esse barulho também lembra o som da nuca dela sendo invadida pelo candelabro. Acho que estraçalhei o crânio pensante e genial da sua musa inspiradora. Screch, screch, screch. Como mais uma e mais uma, enquanto você deve estar comendo outra mulher. Porque você caga regras, moral e os bons costumes, mas você é homem, você deve estar comendo outra mulher, nos dias em que pediu para se afastar para pensar um pouco. Você pediu pra se afastar pra trepar, isso sim. Porque se eu me afastasse eu treparia, só pra ter certeza de que não é você. Mas eu já trepo, sabendo que é você. Trepo pra amenizar a dor desta certeza. Como terei você de verdade? Como? Como? Como? Pare de comer outras! Pare de comer a mulher da sua vida em pensamento. Ela está debaixo da terra sendo comida por larvas, vermes, lombrigas, formigas, ácaros, baratas, aranhas e todos os demais bichos escrotos deste mundo. Mas ao menos, ela se livrou do pior deles: o bicho-homem desgraçado que só quer comer, comer e comer!
Screch, screch, screch. Como mais uma batata chips agora e não sinto mais forças para escrever. Bebo mais dois goles de champagne e não sinto mais forças para escrever. Penso em você e não sinto mais forças.

postado por Claudia Schroeder (10:17 PM) - escreva também (0)

agosto 06, 2008

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PARTE 35

Eu sabia que ninguém me suportaria por muito tempo. Eu sabia que você abriria mão de tudo o que eu fiz, porque você não sabe sobre nada do que eu fiz.
Você não reconhece o quanto é díficil amar você. O quanto é difícil dizer uma coisa e você entender outra. E por você entender outra é que me deixa, assim, como se eu fosse uma roupa velha? Eu não tenho culpa se não sei me expressar como ela, se não sei escrever como ela, se não sei trepar dizendo o que sinto, como ela! Eu não sou boa nisso. E eu não tenho culpa! E você me culpa por entender tudo errado.
Eu só queria ficar com você.
Eu só queria ter filhos com você.
Eu só queria morar num quarto e sala com você.
Eu só queria que você não lembrasse mais dela toda a vez que não me olha nos olhos.
Eu só queria que você não se encontrasse com ela nos seus sonhos.
Eu só queria um homem normal, com uma vida comum, um amor recíproco que eu não precisasse dividir com um cadáver.
Eu só queria. Mas querer, meu caro, não é poder. Aliás, quem foi o imbecil que disse uma coisa dessas e ainda fez o povo ficar repetindo sem pensar no real significado da coisa?
Eu sei, estou surtando em uma loucura descomunal. Mas é assim, meu amor, o amor não é sereno não, o amor é louco. E eu que o fiz assim.

postado por Claudia Schroeder (10:04 PM) - escreva também (1)

 

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